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Sérgio Favinha

  16 novembro 2017

 

Nome, idade, numero de filhos, anos de ligação ao clube, função no clube, treinador de nível 1?

 

Sérgio Favinha. Tenho 44 anos. Sou casado e tenho 3 filhos.

Estou agora na minha sexta época na ADCEO (que, na verdade, é para mim a oitava porque durante duas épocas acumulei funções em duas equipas distintas – Infantis e Iniciados + Infantis e Juvenis).

Treinador na Equipa Técnica de Juniores.

Sim, Treinador de Nível I (UEFA C), em fase de estágio.

 

Conte-nos um pouco do seu percurso profissional para escolher esta profissão de treinador?

 

Trabalho há 25 anos numa empresa Seguradora.

Profissionalmente, a minha vida não tem qualquer ligação com o Desporto e com o Futebol. Mas obviamente que trabalhar numa grande organização como aquela em que estou inserido traz-nos conhecimentos e competências que podemos utilizar em tudo na vida.

Por exemplo, no ano passado tive oportunidade de frequentar um curso de Formação de Formadores que também me tem sido útil no desporto, ao nível da apresentação de palestras, da forma de estar e de comunicar, de ir ao encontro do que esperam de nós enquanto formadores (Treinadores).

No meu percurso escolar estudei na área de Desporto, joguei Futebol federado durante vários anos e sempre gostei do jogo, de o entender melhor, de tentar perceber o porquê das coisas.

Valorizo, ainda, os 15 anos que passei nos Bombeiros Voluntários e onde aprendi imenso sobre espirito de equipa e de liderança, sacrifício e união em torno de uma causa. Aspectos que tento transportar também para o Futebol.

 

Mas começou, diria, de forma “acidental”. Uma chamada telefónica de um amigo de infância (a quem estou muito grato pela oportunidade) desafiando-me para o ajudar numa equipa … e lá fui eu … até hoje!

Qual o motivo da escolha da adceo para ser treinador?

 

Aconteceu por convite do então responsável pela formação de base da ADCEO (PFA-ADCEO).

Eu ia com regularidade ao campo para acompanhar o meu filho que jogava no clube e comecei a perceber a dinâmica da ADCEO e a conhecer as pessoas.

Presumo que as pessoas do clube também se tenham informado sobre mim, do meu gosto pelo treino e do meu percurso noutros clubes e terão achado que eu poderia ajudar.

Assim, um dia fui abordado por esse responsável para fazer parte desse projecto e ajudar a implementar aquelas que eram as ideias na altura.

E aceitei.

 

Qual o número de horas que dedica a esta profissão? considera que atualmente estes escalões são bem remunerados ou deveria haver uma profissionalização?

 

Posso indicar as horas de treino e jogo semanais (4 x 1h30), mas não consigo sinceramente contabilizar as horas que despendemos com tantas outras coisas (planificação anual, modelos de jogo, elaboração de treinos, análise de adversários, reuniões, acompanhamento dos jogadores “extra futebol”, etc). Mas estou seguro de que gasto muito mais tempo nisso do que propriamente no “treino em si”.

 

Não me posso qualificar como profissional de futebol (risos).

Mas a realidade é que só no aspecto financeiro não o é. Ou, como já vi escrito algures, é procurar ser “profissional no amador”.

O empenho e a dedicação, a disponibilidade e preocupação constante com todos os aspectos relacionados com a gestão de uma equipa do Futebol de Formação aproximam-se muito desse estatuto profissional.

 

É evidente que deveria seguir-se o caminho da profissionalização, porque as áreas de formação que temos de abranger exigem muito mais do que “uma hora e meia de treino, quatro vezes por semana”. E são muito mais abrangentes do que “o jogo”. São também de formação de homens, de preocupações sociais e de integração dos jovens.

E mais: Financeiramente em muitos dos casos o que gastamos é mais do que recebemos. E noutros casos nem sequer somos remunerados. Por isso…

Num clube de bairro como a adceo é fácil conseguir transmitir aos atletas toda a formação e as dinâmicas que pretende, uma vez que estão limitados  a UM campo de futebol com horários definidos, a poucos espaços para palestras?

 

Antes de mais, considero que a ADCEO já é há uns anos muito mais que um “clube de bairro” no que respeita ao Futebol de formação. Temos todos os escalões de competição (Iniciados, Juvenis e Juniores) na Divisão de Honra da AFL, facto que muitos clubes não conseguem atingir. E temos trabalhado na formação de forma globalmente muito positiva.

 

Não é fácil, efectivamente.

O espaço para palestras, por exemplo, era de extrema importância. Termos uma sala multimédia, com vídeo-projecção, onde pudéssemos analisar todos os aspectos do treino e do jogo seria excelente! O espaço físico até se conseguiria arranjar, dada a dimensão das nossas instalações mas … falta o resto.

Só que ter o espaço e as condições não é suficiente.

Na época passada, por exemplo, foi-me pedido que colaborasse na criação de uma “sala de Treinadores”. Um espaço de reuniões e de trabalho para as equipas técnicas e que, infelizmente, não teve a sequência e utilização que deveria ter tido. Criou-se o espaço (mesmo que com limitações), criaram-se modelos internos de comunicação, modelos de documentos que raramente foram utilizados. Por isso, mesmo com as restrições financeiras e/ou de espaços de um clube como a ADCEO, a dinamização depende muito das pessoas. Ou seja, também tem que existir essa vontade e empenho da nossa parte (Treinadores) na reivindicação dessas lacunas e na colaboração para as diminuir. Mas se o clube conseguir supri-las, não há justificação para não utilizarmos essas ferramentas.

 

Quanto ao campo, obviamente que todos nós gostaríamos de ter mais tempo e espaço para treinar. Essa é a realidade da maioria dos clubes de formação. Mas isso não tem impedido que a formação de jogadores em Portugal tenha a qualidade que tem tido até aqui. Pode mesmo dizer-se que fazemos verdadeiros milagres com o que temos. Aqui, ao contrário do ponto anterior, os Treinadores têm desempenhos magníficos na sua adaptação ao tempo e espaço disponível.
No caso concreto da ADCEO, seria óptimo que se conseguisse adaptar o ringue de futebol (que fica ao lado do campo de 11) para um campo sintético de futebol de 7 (sei que a Direcção estará a trabalhar nisso). Isso já iria permitir libertar o campo principal para os outros escalões. Mas faz parte da nossa função conseguir optimizar, essencialmente através da nossa dinâmica e da organização do nosso trabalho, a rentabilização do tempo e espaço disponíveis. E, neste aspecto, não vale a pena andarmos com lamentações sobre o que temos ou não, porque é algo que não podemos controlar.

Identifique-me 5 propostas que em sua opinião são necessárias para que um clube possa ser bem sucedido no futebol?

 

Primeiro, organização.

Que as pessoas que giram à volta do clube percebam que existe organização, a sua hierarquia e os seus processos e normas.

Segundo, disciplina.

Há princípios que um clube não pode abdicar. A disciplina tem que ser um deles.

Terceiro, uma função social.

De apoio á integração na sociedade, de integridade, de cidadania e de pertença.

Quarto, melhoria constante dos equipamentos.

Quanto mais apetrechado estiver o clube a nível das suas instalações e equipamentos, maior facilidade terá de cativar novos jogadores que lhe permitam o reconhecimento desportivo.

Quinto, qualificação dos recursos Humanos.

Através da sua avaliação constante, do seu nível de competências ou necessidades de formação. Ter melhores formadores, para poder formar melhor.

 

Em que medida o trabalho do treinador é necessário para a formação dos atletas?

 

Tem a mesma importância que o de um Pai/Mãe na formação dos seus filhos.

Penso que isto resume tudo.

Porque formar não é só ganhar. Formar não é só dizer o que foi bem feito. É muito mais difícil formar quando estamos com resultados desportivos negativos, claro. Mas assume a mesma importância sabermos ajudar os jovens atletas a entender a derrota e a ultrapassar as adversidades. Ou ajudá-los a vencer as suas lacunas ou receios.

Porque a vida “lá fora” também tem vitórias e derrotas.

Por alguma razão os cursos de Treinador em Portugal começam com disciplinas como Psicologia, Pedagogia ou Didáctica. Não começam com questões tácticas.

E os jovens de hoje desistem de tudo com uma facilidade que considero preocupante. Por isso grande parte do nosso trabalho vai muito para lá dos resultados desportivos e de ensinarmos o jogo. É ajudar os pais a formar o futuro homem que se quer ambicioso, sim, mas que também tenha capacidade de sofrimento e persistência perante as adversidades.

Para si um atleta é um diamante em bruto que é necessário lapidar ou ele já vem lapidado (com uma posição no campo e um modo de jogar) e basta somente adequar?

 

Diria que um diamante em bruto é cada vez mais raro.

Por isso é que hoje em dia se investe tanto na área do Scouting.

A detecção de novos valores, cada vez mais jovens, cada vez mais em bruto ao invés de já lapidados.

No meu tempo de jogador não havia traquinas ou benjamins ou mesmo Infantis. Começávamos o nosso percurso nos Iniciados. Não tínhamos internet para ver os nossos jogadores preferidos. Chegávamos aos Iniciados completamente cegos em relação ao jogo porque apenas sabíamos o que era o “futebol de rua”. Não estávamos tão lapidados. Ou nada, mesmo.

Hoje em dia os jovens jogadores têm acesso a imensa informação (por vezes … a mais) sobre o jogo, sobre os seus ídolos e como imitá-los. Basta consultar a Internet e encontramos milhares de vídeos que “ensinam” como rematar, como fazer isto ou aquilo.

E começam a praticar uma modalidade muito mais cedo.

Ou seja, cada vez mais vêm já lapidados de diversas formas.

Mas todos os jogadores, mais jovens ou menos jovens, têm características genéticas que são impossíveis de trabalhar ou mudar através do treino. Isso já determina ou condiciona aquilo que o jogador é e as suas valências no jogo.

Mais uma vez, cabe ao Treinador e á sua visão sobre esse jogador, sobre a equipa e o seu modelo de jogo tentar perceber se é viável adequar esse diamante já lapidado e ajustá-lo aos interesses do jogador e do grupo. Ou ainda se há espaço para lapidar o que ainda possa não está definido.

 

Já mudou a posição de um atleta que antes era defesa para avançado por exemplo?

 

Sim, várias vezes. Mas mais nos jogadores mais jovens. Infantis, por exemplo. Na sua transição do Futebol 7 para o 11, que é para mim a fase mais importante do atleta e do nosso trabalho enquanto Treinadores.

Os jovens jogadores procuram quase todos estar onde está a bola e a festa do futebol é o golo, por isso poucos querem ser defesas ou mesmo Guarda Redes.

Aos Treinadores compete analisar as características dos jogadores e fazer-lhes entender onde podem ser mais úteis à equipa e onde possam sentir-se mais realizados pelo seu desempenho mais positivo. No fundo, conseguir rentabilizar a sua participação no jogo. Mas fazer-lhes sentir que fazem parte do grupo, independentemente de marcarem golo ou o evitarem.

 

 

Existe espaço para o treinador formar os atletas condignamente?

 

Não é fácil.

A cultura da vitória existe cada vez mais. A qualquer nível (profissional ou amador, Nacional ou Distrital) e em qualquer escalão. E isso pressiona-nos a todos.

Mesmo que não seja essa a cultura do próprio clube, ela vem dos Pais ou dos próprios jogadores. Vem da competição em si. Vem do próprio Treinador também.

Isso leva a que por vezes se sacrifique a formação de base dos jogadores.

Não há espaço para formar segundo o que deveria ser feito, etapa a etapa, escalão a escalão. Respeitando integralmente as etapas de crescimento do jovem jogador.

E como muitas vezes o espaço (físico) é curto, isso serve de desculpa para não fazermos o que deveria ser feito.

Mas temos (mesmo) que o fazer. Temos que o “impor” a nós próprios, porque tal é necessário, independentemente do espaço que temos.

 

O que ganha um atleta que treina consigo? Enquanto atleta e enquanto jogador?

 

O que ganha? Não serei certamente a melhor pessoa para responder a isso.

Bom, ganha uma “carrada de chatices”, isso é certo (risos).

Um grupo de trabalho tem, para mim, momentos sérios e momentos de total descontracção.

Procuro ter com os jogadores uma relação muito próxima. Independentemente dos objectivos de equipa e dos resultados tem que existir sempre espaço para o convívio e partilha de experiências e momentos de brincadeira. Por isso sou muitas vezes o primeiro a iniciar as brincadeiras com eles, a tentar falar a sua linguagem, a perceber as suas ansiedades, dificuldades e preocupações. Costumo dizer-lhes que gosto de saber se lhes morreu o gato ou se a namorada se zangou com eles. Porque isso afecta o seu desempenho no treino. E se isso acontece, prefiro saber o porquê do que repreendê-los quando não estão concentrados mas até terão motivos para isso. Digo-lhes até que prefiro que não treinem nessas circunstâncias do que estarem no campo apenas fisicamente e a sua cabeça estar no funeral do gato.

Ou seja, procuro que eles ganhem capacidade de trabalho e responsabilidade. Procuro que tenham sempre um forte espirito de equipa e de compromisso.

Se eu der o máximo, entregando-me ao trabalho, isto apesar de já não ser um jovem e de também ter um gato (risos), isso não afecta o trabalho deles. Logo, também espero que eles não afectem o meu, sendo mais jovens e com menos preocupações na vida.

O que eles ganham ou retiram disso só eles poderão responder.

A verdade, porém, é que muitos deles só me dizem o que ganharam muitos anos depois …

“Você tinha razão …”, “se eu o tivesse ouvido…”.

 

Quanto aos ganhos desportivos ou individuais acho que posso só dizer o quão orgulhoso estou de ter feito parte da vida desportiva deles, da conquista de mais vitórias do que derrotas, de duas subidas de divisão, alguns troféus em torneios e prémios individuais ou colectivos.

E a esmagadora maioria deles ganhou um amigo e um fã que procura seguir o seu percurso de vida, pessoal ou desportiva.

 

 

 

Prefere um jogador excecional mas que não consegue controlar ou um jogador regular que consiga progredir consigo?

 

Se é um jogador difícil de controlar, então não é excepcional.

Um jogador para ser excepcional, tem que o ser em tudo. Como eu costumo dizer “não basta ter pezinhos”.

Um atleta de qualquer modalidade só consegue ir longe se tiver uma coisa: auto-regulação.

E isso significa que não precisa de ter alguém sempre “em cima dele” a controlar. Porque sabe que deve cumprir determinados pressupostos para si próprio, como sejam o trabalho árduo, o respeito pelas horas de descanso, pela alimentação correcta, pelo grupo. Mas … por ele, pelos seus objectivos individuais, pela sua ambição de ser realmente excepcional. Tem que ter as suas metas bem traçadas e a sua cabeça no lugar para poder ambicionar chegar longe.

E essas metas não podem ser só “frases feitas”. Ouço muitos miúdos dizerem que querem ser profissionais, que vão trabalhar para isso … mas depois o que vemos na prática, nas suas atitudes, é bem diferente.

Aquilo que vejo época após época são miúdos que têm a capacidade para ser realmente excepcionais no Futebol mas que, por um motivo ou por outro, se tornam jogadores difíceis de controlar. Acho que também tem a ver com a sua educação hoje em dia e com a falta de resiliência. Os miúdos comparam-se muito uns aos outros e se sentem que estão acima da média em termos técnicos, por exemplo, tendem a desvalorizar certas vertentes do trabalho. “Por que razão estou eu a trabalhar “técnica base”, quando eu faço “o que quero” com a bola?”.

Aí, claramente que o jogador “regular” tem mais consciência dos seus limites e trabalha muito mais para os ultrapassar.

Em resumo, tanto os excepcionais com os regulares têm que querer progredir!

 

Quais são os desafios que a direção lhe lançou para este ano e quais são os desafios que se lançou a si mesmo?

 

A Direcção não nos pediu nada em termos de resultados desportivos.

Mas é óbvio que o clube pretende manter os Juniores na Divisão de Honra da AFL.

Os desafios que nos foram lançados pela Direcção do Desporto são que respeitemos o emblema do clube, sendo uma equipa disciplinada. Essencialmente isso.

E foi pedido, uma vez mais, que não se trabalhe apenas a pensar numa época. Ou seja, tivemos que procurar ter no plantel um equilíbrio entre jogadores de primeiro e de segundo ano para que o próximo treinador seja ele quem for, tenha desde logo uma base de trabalho.

Numa reunião recente que tivemos com o nosso Coordenador e com o Treinador dos Seniores, foi por este sublinhado que o principal fornecedor de jogadores ao plantel Sénior foram os Juniores. E que na época passada foram 10/11 jogadores Juniores ajudar a equipa Sénior no seu campeonato, a maioria deles mesmo sendo jogadores de primeiro ano.

E a base da equipa titular de Juniores do ano passado eram jogadores de primeiro ano.

São factos indesmentíveis.

Essa seria, sem dúvida, a grande aposta para esta época. Essa continuidade. As linhas mestras de um projecto que em Maio/Junho de 2016 apresentámos (equipas técnicas de Seniores e Juniores) à Direcção.

Como perdemos jogadores que não queríamos perder, infelizmente isso não será agora possível e os Juniores estão agora a reconstruir-se, digamos assim.

O plantel tem novamente muitos jogadores de primeiro ano (11 em 23), mas agora muitos são novos no clube.

Por isso, este será por certo o ano mais desafiante e mais difícil de todos, que passa muito por transformar esse grupo de jogadores de qualidade numa verdadeira equipa.

Acima de tudo é um grupo em que acreditamos porque tem demonstrado grande vontade de evoluir, com grande capacidade de trabalho e humildade.

 

 

 

Quais as propostas de melhoria que deixa ao adceo no campo do futebol?

 

Em qualquer actividade existe sempre espaço para melhorar.

Tenho procurado dar as minhas opiniões e apresentar as minhas propostas a quem de direito e no local certo.

A Direcção Desportiva tem estado disponível e tem procurado resolver algumas questões que apresentamos. Por exemplo, em Março passado todos os Treinadores foram convocados para uma reunião onde o único ponto era este mesmo: o que correu bem e o que correu menos bem. Significa, pelo menos, que também pretendem melhorar.

 

Infelizmente os clubes de Futebol têm poucos recursos humanos, pessoas que se dispõem a prescindir do seu tempo para ajudar uma causa. A ADCEO não foge à regra. Por isso seria muito importante que conseguíssemos ter mais pessoas a colaborar com o Futebol.

 

Em termos mais organizativos, espero que se dê sequência àquilo que se procurou iniciar o ano passado: a sala de treinadores, a comunicação interna entre os diversos departamentos através de modelos e canais próprios, com normas internas (uma plataforma informática não era difícil de criar), o dossier individual do atleta, etc.

Espero também que este ano existam mais reuniões entre a Coordenação do Futebol e os Treinadores, onde possamos falar sobre o nosso trabalho, as nossas dificuldades e todos juntos procurarmos as soluções e uma maior colaboração entre as diversas equipas técnicas que ainda não é a ideal.

Depois existem duas áreas muito importantes para o Futebol e que, apesar dos esforços, ainda não estarão como todos pretendemos, como são o Posto Médico e a Rouparia. No Posto Médico seria importante conseguir-se mais colaboradores e no caso da Rouparia espera-se que as alterações recentes das normas de utilização e a pequena remodelação do espaço tragam uma maior eficiência deste importante departamento.

 

 

Qual o seu modelo de jogo preferido?

 

O melhor modelo de jogo é … ganhar. Ponto.

A questão do modelo foi uma das coisas que sempre me despertou mais curiosidade.

Fala-se muito de modelo de jogo, de padrão … mas entendia-o (erradamente) como uma coisa excessivamente rígida … Porque, para mim, se assim fosse aplicado tornaria as equipas mais previsíveis e (em certa medida) mais fáceis de anular.

Várias vezes consegui resultados positivos em jogos contra os clubes grandes e sempre achei que isso só foi possível porque eu sabia perfeitamente o que ia fazer o adversário. Porque existe esse padrão que é seguido à risca.

Logicamente que se tens os melhores jogadores se torna mais fácil padronizar e vencer.

O nosso trabalho tem que assentar numa base, num modelo, num esquema e planeamento, é claro que sim. Não pode ser a anarquia total.

Mas ao nível da formação de jovens, não estaremos a limitar o jovem jogador se jogarmos sempre da mesma forma? Se os automatizarmos por completo? Se for um plano rígido?

Por isso trabalhar sobre um modelo, claro, mas os jogadores têm antes de mais é que saber avaliar as circunstâncias do jogo, que tem tudo menos de estático.

Avaliar o momento do jogo, ou seja, fazer isto se acontecer isto e fazer aquilo se acontecer aquilo. Não fazer sempre isto, independentemente de estarmos a ganhar ou a perder. De o adversário jogar assim ou assado. Do campo ser curto ou longo. De estar a chover ou bom tempo. Ou dos jogadores que estão no 11.

Porque a nossa equipa não joga sozinha. Há alguém do outro lado que também quer vencer e que também trabalhou para isso.

 

 

 

 

Onde vê a ADCEO daqui a 5 anos?

 

Daqui a 5 anos vejo a ADCEO com capacidade para ter uma ou duas equipas a disputar, de forma permanente, um campeonato Nacional.

A qualidade do trabalho desenvolvido nos últimos 10 anos pelo Futebol de Formação do clube terá que ter essa consequência. A capacidade de recrutamento da ADCEO é enorme. Talvez muitas pessoas não tenham essa noção mas nos Juniores, por exemplo, o número de jogadores que compareceu às captações ultrapassou os noventa (!), ou seja, quatro planteis! Não vejo muitos clubes com essa capacidade…

Depois, os nossos Seniores têm dado passos muito positivos nesta tarefa evolutiva. Independentemente dos resultados desportivos actualmente vê-se uma equipa de Seniores com disciplina em campo e com assiduidade e responsabilidade no trabalho. Ou seja, os Seniores são hoje (como lhes compete) um exemplo para os jogadores jovens do clube. Para que a capacidade de recrutamento possa ser ainda maior mas acima de tudo a capacidade de fixarmos os jovens na ADCEO, para que não sintam necessidade de ir para outros clubes a não ser, claro, que esse clube seja um grande salto na sua carreira.

Mas, estando há tanto tempo no clube, não posso deixar também de desejar que todas as outras modalidades da ADCEO continuem num caminho de vitalidade e dinamização.

 

Onde quer estar o treinador favinha daqui a 5 anos?

 

Se me tivessem feito essa pergunta há um ano atrás diria que estaria “reformado” do Futebol em cinco anos. A minha família tem sido privada da minha presença em muitos momentos e por isso essa era a minha meta.

Actualmente, não sei.

O curso de Treinador mudou bastante a minha perspectiva de futuro. Deu-me a confiança e legitimidade para pensar em algo mais.

Por outro lado, estou ligado a outra área do futebol que tem evoluído mais do que eu próprio esperaria.

Por isso … nunca se sabe.

Mas daqui a 5 anos espero poder dizer que já consegui o Nível 2 de Treinador, que estou no Futebol Sénior ou mesmo que ainda no Futebol de Formação consiga estar num clube ainda maior que a ADCEO.

Não sou da ADCEO desde pequeno, gosto de estar aqui e respeito muito o clube.

Ainda assim, acho que ninguém poderá dizer onde estará amanhã, quanto mais daqui a 5 anos, mas estarei certamente onde me sentir bem e onde queiram que eu esteja.

Se assim não for … estarei “reformado”.

 

 

 

O treinador favinha é hoje um melhor homem ou um melhor treinador de homens?

 

O Treinador Favinha pode considerar-se uma pessoa realizada até ao momento.

Nestes 10 anos tenho conseguido tremendas vitórias pessoais como por exemplo ver jogadores que passaram por mim serem profissionais de Futebol, ou que já são também Treinadores e me vão pedido um ou outro conselho. Ou até que já deixaram o futebol e me mostram, com orgulho, que estão no bom caminho, que até já são Pais …

Por isso espero ser neste momento um melhor homem, tantas e tantas foram lições que me ensinaram.

Um melhor Treinador de homens … bom … uma das maiores capacidades que o ser Humano tem é conseguir avaliar o que fez no passado, retirar disso ensinamentos para tentar ser melhor hoje e ainda melhor amanhã.

A minha forma de treinar é sem dúvida diferente. Se é melhor … quero acreditar que sim. Mas que essa evolução continua hoje e amanhã, isso sem dúvida.